Direto do blog do Julio Lemos:

A vida privada dos progressistas está cheia de opiniões reacionárias: gostam de reuniões de família, de uma boa cerveja, do pai desafiador da legislação ambiental, que joga papeizinhos pela janela do carro, tentam afastar os filhos das companhias dos desocupados, e até sentem dor ao ver o filho lendo Sartre. “Não quero isso para os meus filhos”, apesar de terem ensinado o contrário na universidade. “Bem, são teorias; isso aqui é coisa séria, são meus filhos”. Já ouvi muitas histórias de pais ateus que ficam envergonhadamente felizes quando vêem que os filhos tomaram um rumo mais racional.

Veio a calhar essa frase do Julio: “…apesar de terem ensinado o contrário na universidade.” Estava a certo tempo querendo falar sobre isso. Não sobre o que ensinam diretamente no meio acadêmico, até porque, na minha área, não há louco que tente fazer tal doutrinação, mas sobre a realidade em que se vive nesse meio.

Do ateísmo prático, velado, mas mesmo assim, militante que reina na área biológica.

Muito se deve a Darwin, não do que ele escreveu, mas do que falaram por ele. Do esquecimento da Causa Primeira das coisas, considerando que tudo deriva e é conseqüência das causas segundas. Não. Não se explica, nem metafísica, nem cientificamente tal postura. Em primeiro lugar porque as causas segundas não se bastam por si mesmas. E porque, já que a primeira explicação não explica muita coisa em termos práticos, não existem evidências de que não há uma Causa Primeira. Aliás, existem evidências de que existe, embora não aceitas pela ciência moderna.

Enfim, enrolei, enrolei e não disse o que queria.

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Bom, li em algum lugar, certa vez, que o ateísmo é a coisa mais anti-científica que existe. Concordo. Apesar de existirem n cientistas que não concordem. Azar o deles, e da ciência. Assino embaixo da frase por não sei quantos motivos, mas o principal deles, e talvez o que resuma todos, é a exclusão da possibilidade logo de início. Já se exclui Deus da ciência pela estreiteza de não se aceitar como válida a possibilidade da existência dEle. Como podem existir cientistas que excluam, sem evidências, uma possibilidade, que nem de longe parece ser a mais absurda? Que raio de atitude é essa?

Não pretendo julgar a intenção de ninguém, e não duvido da retidão de muitos dos cientistas ateus, que, sim, podem estar com a melhor das intenções em relação à ciência, mas que, infelizmente, erram longe, nas bases da própria ciência que pretendem construir.

Há que se mudar essa mentalidade, até mesmo preconceito, que só atrapalha a própria ciência, fechando portas, bloqueando caminhos que devem ser trilhados por nós, cientistas.

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E, pra finalizar este post, quero me desculpar por estar mais “desinspirado” do que nunca para escrever.

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Liberdade é o que há! E não sei porque gostam de tolhê-la de nós; talvez seja prazeroso castrar os outros, não sei…

O que sei é que hoje o Estado cada vez mais tira a liberdade individual de seus cidadãos. Exemplos disso são vários, desde a proibição da fumo em locais particulares (!) até a não permissão do ensino dos filhos em casa (o famoso homeschooling), passando, é claro, pela limitação e até mesmo proibição de certas propagandas. [Sobre isso, saiu na Exame de junho uma reportagem razoavelmente boa. Veja aqui.]

Qual o objetivo disso? Proteger o cidadão comum? Não me parece; tirando a onda do politicamente correto, não vejo muita alternativa que não o controle sobre a vida das pessoas, e isso, uma hora ou outra, acaba descambando em autoritarismo (além desse controle, em menor grau, já ser uma forma de autoritarismo). [Vejam: World No Tobacco Day, 31 May 2008]

Será que não é melhor para a população que lhe fosse oferecida oportunidades para, por si mesma, procurar criar um senso crítico (basta bom senso, somente) e ver o que é bom e conveniente para cada um, sem que o Estado interfira nestas escolhas, sem que nos trate como crianças?

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Vejam, porém, que não defendo uma liberdade irrestrita na prática, mas sim uma liberdade conseqüente, se é que se pode classificá-la assim.

Uma liberdade inconseqüente, irrestrita, é tão absurda quanta a falta dela.

Hoje, quando ia caminhando para a USP, vi um carro da Rede Globo no estacionamento do meu instituto. Daí me toquei: “Vieram entrevistar a boba da corte da ciência”! Me enganei… A truã (truona?) estava em Brasília, abraçando garotinhos enganados por ela.

Não vou defender o não-uso de embriões humanos em pesquisas. Já o fiz (não sei se bem, ou tão bem quanto poderia, mas não pretendo dizer as mesmas coisas ditas há três meses atrás).

O que me deixou consternado hoje foi a cara-de-pau dos defensores deste uso, que até pouco tempo atrás vendiam suas “pesquisas” (entre aspas mesmo!) como a salvação da humanidade, e que agora, tão logo tenham “vencido” (mais aspas, por favor…) esta etapa, já não garantem nada a ninguém: talvez amanhã, quem sabe em décadas, mas pode ser que morramos sem ver os resultados… disse, mais ou menos assim, uma das alunas do laboratório do genoma humano, hoje, no Jornal Nacional.

Quer dizer que é anti-ético barrar “pesquisas” que batem de frente com a dignidade humana, mas enganar pessoas em proveito próprio não é? Me engana que eu gosto, professora… (e isto, que acabei de escrever, tem pouco a ver com sentimentalismo, é tão somente the real world, meu caro [como gosta de dizer um amigo meu].)

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Os votos dos ministros me surpreenderam. A princípio fiquei chocado com o do ministro Direito, quando ouvi que ele aceitava a “pesquisa” com algumas restrições. Vi depois que, em seu caso, ele queria era tirar as aspas da pesquisa! Fiquei aliviado. Mas ainda fico meio com o pé atrás diante das restrições propostas pelo ministro… não sei se o uso de embriões humanos, mesmo sem danificá-los, é algo bom. Se eu fosse ministro teria votado era contra o uso de embriões de qualquer maneira. Graças a Deus, não sou!

Dos outros ministros não acompanhei direito, até porque não estava em casa, e nos noticiários não falaram muito à respeito destes. Mas fiquei surpreso com o placar final, 6×5. Não esperava que no STF tivéssemos tantos votos à favor da inconstitucionalidade, ou pelo menos contra o uso indiscriminado dos embriões, dessa lei. “O voto vencido de hoje é o vencedor de amanhã.”, disse Carlos Alberto Direito. De fato, existem boas chances de, no futuro, esses ministros conseguirem enfiar algo no cabeção dos outros seis. É bom saber que, pelo menos, alguns tem bom-senso.

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Se quiserem ler alguma coisa boa, escrita por bons caras, ainda sobre este assunto (e também sobre perseguição ideológica):

O preconceito aceitável

Aos três ministros do Supremo que ainda não votaram: células-tronco embrionárias, a demonização do catolicismo e a ética reduzida ao puro pragmatismo

Inverteram as coisas: jornal pode dar opinião, cidadão não.

E não é que ele existe mesmo?

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Rapidinha1: O blog bateu em 1000 cliques por esses dias… O que me assusta um pouco é que uma boa parte das visitas é de gente que chega através do google pesquisando “como morrer”! Se algumas dessas linhas tortas tiverem servido pra tirar da cabeça deles essa idéia, já me dou por muito satisfeito!

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Rapidinha2: Eu ia comentar sobre o Corinthians de novo, mas acho que fica pra daqui duas semanas, quando ganharmos o campeonato!

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Rapidinha3: Às vezes, é extremamente deprimente morar sozinho: voltar pra casa e não ter ninguém pra conversar, comentar o dia, trocar uma idéia ou outra. Sair da correria da cidade e cair no vazio gelado da sua casa (não, ainda não dá pra chamar de lar…).

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Rapidinha4: Sobre o título do post, fica pra série “Na hora foi engraçado…”. Agora, já não é mais. A vida nem é tão longa assim (quantas coisas ficarão por fazer, hein?); e o futuro, por mais incerto que pareça, tem grande certeza no fim, muito nutrida pela Esperança cristã. Mas isso é papo pra outra hora.

Maio foi o mês das indicações… peço perdão por isso. E também pela minha desorganização e falta de comprometimento com este blog.

Entretanto, seguindo a vocação desse mês, venho convidar meus poucos leitores a um blog que promete muito: Pra não morrer idiota! É um espaço que criamos a pouco, e por isso tem pouco conteúdo no momento, derivado de um grupo de filosofia que iniciamos neste ano. Bom para pensar um pouco!

Mas não se desesperem (Hahaha!) eu continuo escrevendo por aqui, nessa mesma periodicidade incrível!

Maio vai indo embora e não escrevi nenhum post ainda (só pra variar um pouco…).

Mas vou deixar uma sugestão de texto: È morto. Andiamo.

Enjoy!

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Semana sim, semana não, eu ouço falar de Viktor Frankl e seu “Em Busca de Sentido”. Acho que devo lê-lo o mais rápido possível!

Passeando pela net esses dias, acabei encontrando esse poema aí em baixo:

She was a Phantom of delight
When first she gleam’d upon my sight;
A lovely Apparition, sent
To be a moment’s ornament:
Her eyes as stars of twilight fair;
Like twilight’s, too, her dusky hair;
But all things else about her drawn
From May-time and the cheerful dawn;
A dancing shape, an image gay,
To haunt, to startle, and waylay.

I saw her upon nearer view,
A Spirit, yet a Woman too!
Her household motions light and free,
And steps of virgin liberty;
A countenance in which did meet
Sweet records, promises as sweet;
A creature not too bright or good
For human nature’s daily food,
For transient sorrows, simple wiles,
Praise, blame, love, kisses, tears, and smiles.

And now I see with eye serene
The very pulse of the machine;
A being breathing thoughtful breath,
A traveller between life and death:
The reason firm, the temperate will,
Endurance, foresight, strength, and skill;
A perfect Woman, nobly plann’d
To warn, to comfort, and command;
And yet a Spirit still, and bright
With something of an angel light.

She was a Phantom of delight – W. Wordsworth

Não vou nem comentar muito, pra não estragar. Mas que é possível ver aí a mulher dos sonhos de qualquer um, isto é inegável!

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Caro leitor, você sabia que o parafuso de Edison é o nome que recebe o mecanismo de ajuste ou de fixação de uma lâmpada incandescente, desenvolvido por Thomas Edison em 1909? Não?! Me neither!

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Só pra constar: o Timão está metendo uma goleada incrível no Goiás! Poesia pura, não?

Adoro! Dia ideal para mim é aquele sem sol algum, com muitas nuvens, e uns poucos pingos de chuva; algo em torno de 18°C. Vento gelado cortando o rosto…

Sei lá, as pessoas ficam mais bonitas, elegantes: ninguém veste aquela regatinha e o shortinho tosco. Querendo ou não, ficam mais bem vestidas. (Homens, em geral, pagam um pau para mulheres bem vestidas! – mesmo que ninguém comente isso).

É um dia mais indoor também (não que o outdoor seja ruim, mas ficamos mais descompromissados com dias assim [eu, pelo menos, fico]). Não falo de ficar entocado no seu ninho, vendo tevê na cama e comendo pipoca… Não! Falo de fazer algo que valha a pena. Ir na casa de algum amigo, ou ele vir até a tua, nem que seja para, sem compromisso algum, bater um papo. Ou até mesmo – por que não? – sair, tomar alguma coisa, comer num restaurante legalzinho. (Vai, até mesmo estudar é mais fácil num dia frio…)

Dias quentes dão preguiça. Dá vontade de ir no parque e perder a tarde inteira lá..

Dias frios, au contraire, te obrigam a fazer algo, sob pena de ficar se deprimindo em casa.

Enfim, paradoxo dos paradoxos, um clima deprimente é que faz o teu dia ficar muito bom!

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Na verdade, o que faz teu dia ficar realmente bom é a atitude com que você o encara… mas deixa pra lá.

Quem nunca assistiu a uma aula mal dada levanta a mão!

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É quase impossível, hoje, assitir a uma aula boa – mas boa mesmo! – em qualquer lugar que seja: no colegial temos a maldita bitolação (?) para se passar no vestibular; não se procura aprender de fato, mas simplesmente decorar e, mais tarde, cuspir tudo numa prova. Deprimente! E na faculdade, se o carinha tiver conseguido cuspir tudo no lugar certo no vestibular, existe outra maldição: a do PowerPoint!

Quando você pensa que vai ser emocionante estudar a fundo a disciplina que você próprio escolheu, que acordar às 6h15 da manhã pra ir pra aula vai ser a coisa mais fácil do mundo – afinal, você tá lá porque gosta daquilo, oras! – vem aquele tiozinho estraga prazer, o professor com sua apresentação de slides que não é atualizada a uns cinco anos. “PQP!” – é a primeira reação de qualquer pesoa normal – “Prof. Dr. Fulaninho me monta uma aula de 150 slides, apaga a luz, e fala como se estivesse cantando pro seu filho dormir! E espera que a gente preste atenção!”

Tá certo que temos que fazer o mínimo para prestar atenção; tá certo que muitas vezes usamos (eu também, infelizmente) isso como desculpa pra qualquer coisa; tá certo que, quando a turma está desinteressada, professor algum consegue dar um jeito… mas não é por isso que ele vai avacalhar também.

E muitos avacalham! Não têm a menor preocupação com a didática, não têm o menor compromisso com o aprendizado do aluno (parece que só vêem a aula como uma conseqüência indesejada do fato de serem contratados pela unversidade), não querem ou não sabem dar aula. Deveriam tomar vergonha na cara: ou aprendem a dar uma aula, ou pedem pra sair (e nem me venham com essa de Tropa de Elite).

E essa situação tem causa conhecidíssima: falta de paixão pelo ensino! Falta de paixão pelo que faz!

Aliás, isso é sintomático em toda a sociedade: falta muita gente apaixonada pelo que faz.

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Conselho aos professores: nunca, em hipótese alguma, descuidem do conforto dos alunos! Uma sala quente é o primeiro passo para se tirar um cochilo…

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E viva Bento XVI! Completou aniversário natalício e pontifical nesta semana.

Começamos, nesta semana, um grupo de filosofia lá em São Paulo. Nada mais elitista, chato e entediante – diriam alguns. E sou obrigado a concordar (!), em parte. Explico. Do jeito que é apresentada, a filosofia é um porre: divagações aparentemente sobre nada, conceitos difíceis e aplicação nula no dia-a-dia.

Mas não deve ser assim! A filosofia tem que ter uma utilidade. Segundo alguns, seria o estudo da sabedoria (de fato, filosofia significa amizade com a sabedoria, ou algo assim); outros dizem que é o uso dessa sabedoria em proveito do homem. Não discordo de nenhum, mas uma outra definição que me agradou bem mais foi que a filosofia é a arte de morrer bem. Não necessariamente de modo heróico, mas, simplesmente, de não morrer como um idiota! (Idiota vem de idem, aquele que só tem a si mesmo dentro da cabeça. Ou seja, idiota é aquele que gastou a vida inteira para si.)

Há pessoas que souberam morrer bem, e deixaram, de alguma forma, esse conhecimento para os outros; estes são os filósofos sensu strictu. Há outras que também souberam morrer bem, mas, por qualquer motivo, não deixaram como fizeram isso; são também filósofos. E há os idiotas.

Esses filósofos souberam viver bem suas vidas, e conseqüentemente morrer bem, porque quiseram, ativa ou passivamente, procurar a verdade, que nada mais é do que querer entender tudo; What is it all about? é a pergunta lema deles. Que é tudo isso, e para que serve? Os filósofos chamam isso de perguntas últimas, os idiotas de babaquice.

Voltando às pessoas normais, elas querem mesmo é entender o mundo, os homens e Deus. E dessa vontade de entender, e da aplicação deste conhecimento, surgem as outras demais ciências: física, biologia, antropologia, engenharias, teologia…

Na real, a filosofia deveria ser para todo mundo. Se existissem mais filósofos (sensu lato mesmo), não existiriam essa geração-MTV, essas modinhas, e todas essas pessoas que possuem capacidade de pensar semelhante a de uma porta. Claro que não desejo que o mundo todo seja uma Academia de Atenas – ia ser chato pra caramba -; desejo, isso sim, que todos pudessem ter um mínimo de cabeça pra pensar, pra procurar algo mais que a sua satisfação pessoal, pra ter, enfim, uma vida boa.

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E “vida boa” aí em cima é algo mais do que beber bons vinhos e viver da aposentadoria, viajando por aí; é muito mais: é ser útil!

Apesar de que beber bons vinhos e viajar por aí é também really cool!

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Ah! E pra lembrar, um filósofo tem que ser, essencialmente, politicamente incorreto.

Pra variar, mais um longo tempo sem atualizar o blog… Cá estou eu, novamente!, pra tirar as teias de aranha daqui!  Mas tenho uma desculpa dessa vez: viajei para o Rio, pro show do Bob Dylan, e não tive acesso considerável à internet nesse meio tempo.

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Bob Dylan é um mala! Um velho mala (ou uma mala velha, não sei)! Seu show foi monótono (sei de gente que conseguiu dar uma dormidinha…) e só teve algo de bom no final, com Like a Rolling Stone e Blowin’ in The Wind. Pronto! Desabafei!

Mas raivas à parte, uma boa caracterização que me deram de Dylan é de que é um ótimo compositor, mas que não faz um arranjo muito legal das músicas. Suas letras de maior sucesso são cantadas por outros músicos. E disso não posso discordar…

Mas tudo bem, gosto dele mesmo assim!

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Tô pra fazer, nesses dias, um risoto! Primeira vez; espero que dê certo (desejem-me sorte!). Essas ocasiões são muito boas pra reunir amigos, ou família, ou apreciadores de comida! Ou os três ao mesmo tempo.

O segredo é um só:  não ouvir Dylan enquanto se cozinha, sob risco de dar uma cochilada e perder o ponto…