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Espírito de grupo é muito bom! As pessoas se prestando a ajudar umas às outras, fazendo programas divertidos, festas nas casas dos outros, um bom churrasco ou uma excursão bem preparada. O homem, afinal, é um ser social e, como tal, deve andar em companhia de outros: Lewis dizia, em Os Quatro Amores, que os grupos de amigos eram ótimos, porque cada um poderia despertar no outro uma faceta que sozinhos não conseguiríamos. Por exemplo, o Pedro consegue fazer com que o José mostre seu lado piadista, ou que João consiga trazer o lado filosófico de Ronaldo à tona, coisa que o Renato não conseguiria, pois só fala de futebol e corrida de carros, a não ser com Tiago, com quem consegue falar sobre sua cidade natal. Enfim, que cada um em particular consegue explorar lados da personalidade dos outros, que outros não conseguiriam…

O grande problema é quando um não sabe conversar em particular com outro, ou que quando fala, é sobre banalidades. Quando fazemos nossas panelinhas, em que, ou andamos em grupo ou não andamos; quando não conseguimos nos dissociar, nos individualizar. Quando não somos indivíduos, mas um único coletivo…

E, infelizmente, nossa sociedade é cheia de casos assim: se estamos em grupo, ótimo. Se não, não conseguimos sair de um “Oi! O dia tá feio hoje, hein?!” “Pois é! Acho que vai chover…”.

Pior ainda é quando o grupo reprime um dos participantes que possua uma ou outra posição contrária à da maioria. Às vezes nem é por maldade, mas por pura inconseqüência, frivolidade. Ninguém fala de sua vocação em grupo, nem de suas aspirações mais profundas quando se encontra cercado por 10 pessoas que pensam diferentemente e que se conhecem superficialmente. No máximo, de seus ideais profissionais, ou de algum fato mais marcante… Mas, do que realmente importa, pouco se conversa hoje em dia, justamente porque não se anda mais com uma única pessoa.

Os homens criaram um comportamento, digamos, curioso. Sentem-se seguros quando estão em grupo, mas totalmente desprotegidos quando sozinhos com outra pessoa: e, de fato, está sim desprotegido! Não se acha, num momento como este, escape para sua própria intimidade, que apesar de, obviamente, íntima, precisa ser mostrada! Corremos risco, hoje, de nos fecharmos no nosso mundinho interior, com grandes sonhos, ideais, mas que não conseguimos, de forma alguma, sair… nos fechamos em nós próprios, tornando-nos uns autistas sociáveis.

E como é bom podermos contar aos outros nossos segredos, com sinceridade, sem esconder nossos desejos, aspirações, lutas, afetos, alegrias e aborrecimentos! Como é precioso aquele amigo a quem podemos recorrer em nossas mais íntimas dificuldades, nossos mais secretos problemas! Que jóia rara é aquele que nos conhece de fato, que sabe de nossa vida de um jeito que nem nós sabemos! E como é difícil encontrar tais diamantes… tanto por culpa nossa, que nos fechamos e esperamos que eles caiam do céu, como também por culpa dos outros, que nem sempre se importam em ouvir-nos e em deixar-se ouvir.

Um amigo me dizia que deveria ter o peito transparente, como uma janela, para que pudesse ver meu coração. E é verdade! Não dá para fechar o coração a quem realmente quer vê-lo, sem falsas curiosidades ou por espírito de fofoca, para depois contar para quem encontrar na frente. De fato, estar desarmado de nossos respeitos humanos, de nossas covardias, de nossas faltas de sinceridade é imprescindível para termos amigos de verdade! E como isso se torna mais fácil quando nos encontramos a sós com um único amigo!

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Não raramente nos encontramos várias vezes com o mesmo grupo de sempre, confraternizamos juntos todos os finais de semana, e tão pouco sabemos de cada um… É triste tudo isso! Está mais do que na hora de abandonarmos este espírito de bando e partirmos para amizades reais, ao ponto de termos verdadeiros confidentes!

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Alguém tem dúvida que, numa tarde, os homens aí de cima conversaram muito mais do que um grupo de colegas numa vida inteira?

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