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Sê homem, rapaz!

É um grito que ainda temos que dar hoje em dia. Sobretudo nestes dias! Nossa época se marcou sobre o sentimentalismo, a frescura, a falta de virilidade: em outras palavras, a baitolagem! Um homem hoje não é homem, é um cara do sexo masculino um pouco mais porco que uma mulher. E as mulheres vêm se tornando pequenos homenzinhos, se dando o direito de serem até mais porcas que nós (maldita fogueira de sutiãs…).

Penso que é algo como a diferença entre o bom e o bonzinho, aquele que honra suas calças, e o que tem dentro delas, daquele que não saiu ainda das fraldas e das bermudas. O homem moderno é o bonzinho, com seus jeitos frufrus, trejeitos de moleque e conversa água-com-açúcar. Temos que nos tornar homens “de sempre” (ah!, tradicionalismo…): que saibamos dizer sim e não, nunca talvez; que tenhamos papo de homens, com uma boa briga; que freqüentemos nossos clubes, sem ter que ir ao cinema ver alguma comédia romântica para acompanhar nossas amigas (tá, dá pra fazer uma concessão pra namorada, claro).  E lembro de Chesterton, em sua Ortodoxia, quando fala disso.

E não, isso não é machismo! E nem clube do bolinha! Mas uma forma saudável de cultivar a masculinidade. Não é nos tornarmos cavalos, mas sermos viris na medida certa (e como é difícil saber dosar). E nem é fazer tipinho, soltando flatos e acendendo um cigarro, mas ser homens de verdade, na plenitude.

E como é apreciável quando encontramos gente assim: gente que sabe falar não; que sabe ser educado, mas ao mesmo tempo firme; que aperta a mão decentemente; que tem hombridade suficiente para agir da forma correta, mesmo que o ambiente seja contrário. E como é desprezível o oposto: dá asco apertar a mão frouxa de alguém; dá vergonha ter como um dos “menos piores” candidatos um cara de cabeça fraca; causa riso aquele um que fala mole… etc… etc…

Enfim, fazem falta à sociedade homens de verdade, com agá maiúsculo, maduros, que saibam honrar suas bolas!

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Mais do mesmo, mas de um ângulo diferente: Uma tese para as massas

Sobre as mulheres, bom.. deixo pra quem sabe mais do assunto falar: O machismo sutil

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E de volta ao tema do sobre ser bom e sobre ser bonzinho, um texto de Gustavo Corção, no seu Estudo sobre Santa Catarina de Sena:

“O que nos ensinam os santos, com palavras e obras, é que não basta traçar na areia uma tênue linha que separe o bem do mal; e que é preciso, resolutamente, entre os céus e os infernos, erguer muralhas de ódio, e cavar abismos de amor. E o que nos ensina com particular insistência essa moça de vinte e poucos anos, Catarina, filha do tintureiro Benincasa, de Sena, é que devemos andar como os paladinos do Santo Sepulcro, entre duas cruzes, no peito e nas costas: a cruz do santo ódio e a cruz do santo amor.

É grande o mistério da santidade. Muito mal apreenderemos o palpitante funcionamento do organismo espiritual, habitado pela graça, se nos deixarmos levar pela ilusão de uma semelhança entre a santidade e bondade natural que também, de certo modo, nos afasta de atos reprováveis. A diferença é maior do que a semelhança. É enorme. Mesmo sem tentar a exploração mais profunda da misteriosa conversação entre uma alma e seu Criador, já poderemos apreciar, pelas manifestações exteriores e visíveis, pelas fisionomias, pelos gestos, a imensa distância que existe entre um quadro de virtudes naturais e a estrutura da alma dos perfeitos.

Nós que não somos santos, ai de nós, construímos e cultivamos nossas pequenas virtudes de um modo mesquinho, como o homem que, desejando agasalhar-se em pouco pano, encolhe-se nas dobras exíguas e trata de não fazer gestos muito amplos. Quando tentamos alargar esta ou aquela virtude de nossa maior afeição, não temos outro remédio senão furtar, às escondidas de nós mesmos, alguns metros das outras. Cultivada a mansidão, fica desfalcada a coragem; exercitada a obediência, empobrece-se o espírito de iniciativa e, às vezes, o gosto pela veracidade. Tentando evitar os desequilíbrios mais fortes o que nos resta é sofrear cautelosamente os desejos. Foge-se assim às tentações abafando as aspirações. E vai-se pela vida afora, devagar, como o sujeito que anda às apalpadelas, no escuro, com medo das cadeiras.

Este pequeno equilíbrio moral, que nos impede de assassinar os parentes mais incômodos, e de esgueirar a mão no casaco do amigo em busca de sua carteira, caracteriza-se por uma retração, um encolhimento, uma aproximação dos extremos. E neste acanhado conjunto é às vezes um defeito que nos protege de um vício. Por timidez, livramo-nos de certas audácias. Das más, sem dúvida; mas das boas também.

É nesse sentido que se costuma dizer, com acerto, que temos os defeitos de nossas qualidades. Diz-se, por exemplo, que o brasileiro é geralmente bondoso e paciente, e pouco vingativo, porque é displicente na justiça. Perdoa com facilidade, inclusive os homicidas, e principalmente os delapidadores do patrimônio comum. A mole e simpática resultante desse quadro de virtudes encolhidas não suporta a dilatação sem que um trágico desequilíbrio se evidencie. Crescendo o edifício, logo aparece o aleijão, e não é preciso esperar muito tempo pelas catastróficas conseqüências.

O homem honesto, simplesmente honesto, vai assim trilhando seu caminho, e conseguindo evitar os principais, ou mais visíveis pecados, sem ter nas costas a cruz do santo ódio. A menor detestação do mal equilibra-se com a menor dileção do bem.

Na santidade, ao contrário, o que logo se vê, com fulgurante evidência, é a dilatação da alma e o alargamento dos extremos. A mansidão se vê acompanhada da coragem; a temperança de um santo como Bento Labre, que passa a vida inteira dizendo: pouco… pouco… , completa-se com um infinito desejo de posse; a misericórdia se abraça com um ardente sentimento de justiça. As virtudes, que no homem ainda sujeito às leis dos sentidos, ou mal libertado desse jugo, eram meras disposições facilmente abaláveis (faciles mobiles), e sem conexão orgânica, tornam-se, pela infusão da Caridade e pelo acréscimo dos dons, virtudes reais, forças verdadeiras, dificilmente abaláveis (difficiles mobiles) organicamente e harmoniosamente conexas. E, em lugar do tíbio e claudicante indivíduo que apenas consegue fazer algumas coisas boas, à custa de compromissos, demissões e pusilanimidades, vê-se então esta alma vivificada pela graça abrir as grandes asas das virtudes que nos pareciam opostas e paradoxais, erguer-se sem medo no largo vôo dos albatrozes.”

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